Ordem promove debate sobre saúde mental da advocacia

quinta-feira, 17 de Setembro de 2020

A OAB Nacional, por meio de sua Coordenação do Plano Nacional de Prevenção das Doenças Ocupacionais e da Saúde Mental da Advocacia, realizou na tarde desta quinta-feira (17) o evento \"Saúde Mental da Advocacia: escolha viver como uma experiência única\". O encontro reuniu a atriz e escritora Bruna Lombardi e o advogado e jornalista Clóvis de Barros Filho e teve a mediação da conselheira federal catarinense e autora da Cartilha da Saúde Mental da Advocacia Sandra Krieger, que é conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público.

Sandra destacou o apoio dado pela diretoria do Conselho Federal ao Programa Nacional de Saúde Mental da Advocacia Brasileira. Ela falou da concepção, em setembro de 2018, do projeto e da idealização da Cartilha da Saúde Mental da Advocacia. Segundo a autora, um trabalho feito para chamar a atenção para os abalos e transtornos psíquicos que afligem o cotidiano de advogados e advogadas e uma forma de estimular a reflexão sobre as causas desses transtornos.

\"Foi assim, pensando em não falar em suicídio e depressão, mas de onde a vida está, de momentos \'irrepetíveis\', de buscar nossa essência naquilo que transcende o dia a dia da profissão, de como enfrentarmos os fantasmas e as incertezas, agora também provocados pela pandemia, que realizamos  esse encontro, um momento certamente especial para todos\", disse Sandra.

Bruna Lombardi, criadora da plataforma digital Rede Felicidade, falou sobre diferentes abordagens para preservação de um ambiente emocional saudável e como uma vida com significado e respeito ético contribui para a manutenção da saúde mental. Ela citou o pensamento em espiral, que nasce com uma única preocupação, e torna-se um gatilho para ansiedade nociva que leva a depressão e outros transtornos graves. Bruna sublinhou a oportunidade que o encontro representou para tratar do tema para a advocacia.

\"A gente não associa esses problemas sobre os quais temos falado há tantos anos com esse setor específico. O advogado, assim como o médico, é alguém a quem recorremos. É um teu porto seguro. É onde você vai buscar o conforto, a solução\", disse. \"Eles são os que cuidam de nós, mas quem cuida deles? Então acho muito forte esse tema, muito pertinente e muito importante falar para a advocacia. Ninguém está livre, blindado ou acima dessas questões. Todos convivemos com conflitos, desafios e fraquezas\", afirmou Bruna.

Barros salientou excelência, generosidade e alegria como aspectos que podem guiar uma vida menos vulnerável à situações que geram dor e angústia. Ele iniciou sua fala com uma provocação. \"Curioso como nesse tempo de quarentena tenho ouvido muito que as pessoas estão esperando tudo voltar. Usa-se muito o verbo voltar. Evidentemente isso denuncia que aceitamos estar vivendo uma vida em compasso de espera. Essa vida em compasso de espera, temos de admitir, não é culpa da pandemia. Quantas aulas da faculdade assistimos esperando acabar? Quantos tantos outros momentos da vida passamos esperando acabar? Quando você espera a ausência de algo que está presente é porque a vida é ruim. Ela é fracassada, é uma vida a evitar\", disse.

Ele questionou saudosismos e expectativa exacerbada como coisas que minam a condição para a felicidade. Segundo ele, algum tipo de felicidade, se for possível, é um atributo de onde a vida está e não no passado ou futuro, onde ela não está. Barros afirmou ainda que a quarentena revela o valor de servir e declarou que muito da angústia e da ansiedade advém de uma busca por satisfação egoísta. Ele alertou para a alta possibilidade de frustração de uma vida baseada em consumos desenfreados e no desejo de posse.

Barros defendeu o valor do presente e a importância de sua construção. \"Se você for esperar que tudo se regularize, que o mundo se organize, que a sociedade fique decente, que as condições ideais de vida se apresentem para que você possa viver bem, talvez você não consiga chegar lá nunca em momento algum. Portanto, a vida que nos toca viver é essa\", disse ele.

Fonte: OAB - Conselho Federal.